sexta-feira, 5 de agosto de 2016

PLANOS

Acredito que para viver, temos que suprir nossas necessidades básicas e fisiológicas, mas qual é a ótica através do verbo viver?
De muitas formas o ser humano vem evoluindo através dos séculos. encontrando seus objetivos e as formas mais fáceis de poder alcança-los, porém chega um momento em que acho que poucas pessoas pararam para pensar; as coisas estão ficando tão previsíveis e clichês que se perguntarmos quais os planos futuros na vida de alguém, certamente saberemos pelo menos metade desses planos e talvez compartilharemos dos mesmos. 
Não estou aqui pra negar a obvia diferença dos seres humanos, mas sim afirmar o quanto os padrões da sociedade afetam diretamente os planos e sonhos dessas pessoas. 
Quando eu tinha por volta dos meus 5 anos de idade, reparava os meus pais e queria ter uma vida semelhante a deles; queria ser igual minha mãe e ter um marido igual o meu pai, no entanto conforme fui crescendo os meus desejos e planos foram mudando. A figura materna e paterna continuaram exercendo um exemplo pra mim, isso foi reforçando os meus gostos e idéias por meio da religião que eu frequentara naquela época juntamente com eles. Aos 6 anos, o meu sonho era ser uma professora porque observava o quanto a minha professora era amada e idolatrada pelos seus alunos e além do mais todas as meninas da sala queriam ser professoras também, mas chegou um dia que eu jamais esquecerei. Estava na 2° série do ensino fundamental e a professora saiu da sala por um instante, tempo suficiente pra que todas as crianças fossem rabiscar a lousa e fazer bagunça, e eu que não queria me sentir excluída subi em uma cadeira e também rabisquei a lousa, todos se sentaram e eu não tinha reparado que a professora havia chegado. Não sabia o quanto aquele momento iria ser traumatizante pra mim; a professora me fez sentar na cadeira e limpa-la com a bunda... Sim, eu limpei a cadeira com minha calça preferida, se fosse apenas isso estava bom, porém todos os alunos começaram a rir de mim, eles caçoavam de mim, me chamaram de nomes que eu nunca havia escutado antes e ver a professora reforçando o comportamento deles para me envergonhar foi muito humilhante. Como não queria que minha mãe fosse na escola me defender, eu nem contei a ninguém sobre isso. Esse episódio pode parecer até muito banal para algumas pessoas, mas influenciou toda a minha história de vida. Eu era uma menina solitária, tímida e alvo de todo tipo de bullying que alguém possa imaginar, não tinha amigos e ninguém pra brincar no recreio. Comecei a 'bater cartinhas' com meninos mais novos que eu na hora do recreio, e isso fora mais um motivo pra caçoarem de mim, me chamavam de ' Hanna Sapatona'. Eu já não queria mais ser professora e nem sequer sabia o que queria ser quando crescesse, mas era uma das melhores da sala, minhas notas eram altíssimas. 
Apesar de tudo, os meus planos eram sempre clichês, nessa idade eu imaginava que quando adulta eu teria um bom emprego pra ajudar meus pais, viajar e conhecer lugares diferentes. Queria me casar também, até porque todos os adultos são casados e ''felizes''. Durante muito tempo, dentro de mim, eu enxergava Deus como um consolo e a igreja como fonte secundária disso. Deixei de viver, escutar músicas lindas que todas as minhas amigas da minha idade conhecem menos eu, sair pra lugares onde certamente tinha coisas diferentes e não fiz a maioria das coisas que a igreja punia mesmo que indiretamente. Isso porque eu era uma adolescente e  tudo que até aquele momento todos achavam que era certo eu me doutrinei a fazer dessa forma, por medo de rirem de mim, de me excluírem e receio de não ser aceita na sociedade. 
Hoje, sou adulta e lutei durante todo o final da minha adolescência contra ser o que outros querem que eu seja e não ser quem eu sou de verdade. A partir daí, observei o tamanho da hipocrisia que rola nesse mundo, e que além de poder ser eu mesma eu poderia planejar coisas loucas e não clichês. 
Mas, quem disse que eu não tenho sonhos clichês ? Tenho sim, e muito, até porque é dificil desconstruir tudo aquilo que eu certamente fui sem querer. 
Hoje, consigo enxergar principalmente nos adolescentes; os sonhos clichês sendo alimentados pelos pais e pela sociedade. Pergunte a alguém, qual faculdade ele quer fazer.... Depois pergunte o que ele quer ter ....Depois pergunte aonde ele quer ir.... Aaaah, e depois pergunte quem ele quer se tornar. 
Tenho certeza que você conseguiu responder tudo isso mentalmente, e eu duvido que 10 % dessas pessoas se preocupam em se tornar pessoas melhores (socialmente, psicológicamente, caráter e personalidade). Nessa hora só vem coisas materiais na mente, isso porque vivemos em uma sociedade capitalista e materialista, onde o sonho das pessoas é ir em lugares clichês. 
Vivem uma vida baseada em rotina, acorda, vai trabalhar, estuda e dorme, sem tempo algum. Tudo isso com uma voz sussurrando no ouvido e dizendo: Trabalhe pra compraaaar, comprar , praaar, prar, aaaar .... Comprar um carro, uma casa, uma moto e etc... E não conquiste paz, amor , ALEGRIA, um bom sono quando coloca a cabeça no travesseiro sem remédios e mais ação. 
Vamos fazer uma caminhada, mergulhar em um rio na cidade vizinha, descobrir trilhas maravilhosas sem ter que ir no fim do mundo, ajudar as pessoas, fazer uma boa ação, ler, escrever, deixar o carro ou moto na garagem e andar de bicicleta, respirar o ar de verdade, ter um tempo pra cuidar de si e de seu psique, brincar com os animais e fazer o que gosta....
VIVA OS SEUS PLANOS E NÃO O DA SOCIEDADE  E NEM DOS SEUS PAIS. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário