FEMINISMO:
Tenho que ouvir todos os dias varias piadas machistas de pessoas próximas, dizendo sempre as mesmas coisas que nós mulheres escutamos e infelizmente as colocamos com naturalidade, isto porque o sistema, o poder e a dominação masculina nos ensinou a escutarmos caladas.
Desde criança fui o oposto de vários estereótipos instituídos pela sociedade; gostava do azul; de brincar de carrinho, de andar sem nenhuma delicadeza, de colocar roupas largas e camisas masculinas, jogar bola, assistir desenhos animados indicado para meninos, fazer um rabo de cavalo no cabelo porque não aguentava aquele cabelo na minha cara, não gostava de me maquiar, de usar salto e roupas tipicamente femininas, mas me sentia a vontade. Porém, com o tempo as pessoas começaram a me rotular, aqueles olhares maldosos não saem da minha cabeça, toda regra do sexismo caiu sobre mim e eu ainda não tinha capacidade de agir com meu próprio governo.
Certa feita, estavamos eu, minha mãe, meu pai e meu irmão indo a algum lugar; no caminho encontramos um amigo do meu pai, e este perguntou a ele se eu era filho do meu pai. Sim, ele me confundiu com um menino; foi difícil e deu vontade de chorar, mas eu engoli o choro. Eu não consegui digerir aquilo e nem toda maldade das pessoas em determinar a minha sexualidade e orientação sexual sem nem sequer ter falado comigo. Eu gostava de meninos e não via mal algum em usar aquelas roupas e andar daquela forma, mas as pessoas viam.
Eu sou mulher e as regras da sociedade me fizeram sofrer e me moldar como todos queriam que eu fosse. Fiz minha sobrancelha e senti dor, me depilei e senti dor, usei um salto que deu bolhas nos meus pés, usei o meu cabelo solto todo voando na minha cara, usei roupas desconfortáveis, tive que aprender a ser mais delicada, aprendi todas as funções domésticas para que um dia pudesse casar; isto porque o meu irmão não aprendeu nada disso. Aprendi a cozinhar para que um dia pudesse agradar o meu futuro marido, observava bem as outras mães para que um dia eu também fosse, já me senti rival de outra menina por causa de um garoto. Quando eu era boa em algo, as pessoas diziam: Para uma menina, até que você é boa ... Por ser mulher, tive medo de sair na rua e com 13 anos os homens mais velhos já olhavam na minha bunda e me chamavam de gostosa, não pude colocar um short pra poder ir na padaria porque sabia que os homens que estavam construindo uma casa ao lado da minha iriam me assediar. Nas festas, os homens me agarravam a força, achavam que eu não tinha direito de dizer não. Para negar o pedido de algum homem, eu tinha que dizer que tinha namorado, se não o mesmo não respeitaria o meu não. Já fui assediada dentro do ônibus, fiquei paralisada e não sabia o que fazer e este é um dos traumas que eu carrego comigo. Já fui chamada de feia por não estar nos padrões de beleza, chamada de desleixada por não me maquiar. As pessoas com certeza vão me julgar se eu ficar com muitos homens na balada e se eu não ficar com ninguém. Apesar disso, existem mulheres que passam ou já passaram por situações muito piores que a minha. Segundo pesquisas a cada 7 minutos as delegacias recebem 1 denuncia de violência contra a mulher e no ano de 2015 foram contabilizadas mais de 75 mil denuncias. Estima-se que a cada 11 minutos 1 mulher é estuprada, sendo que nem 35% dos casos são notificados e pra quem diz que isso não acontece dentro de casa, 48% das mulheres declaram que a violência aconteceu em sua própria residência, 3 em cada 5 mulheres já sofreram violência em relacionamentos, 56 % dos homens admitem que já cometeram alguma forma de agressão e 77% das mulheres que relatam viver em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente.
Sem falar na taxa de feminicidios do Brasil, que é de 4,8 para 100 mil mulheres sendo então a quinta maior do mundo. De 2003 - 2015, o número de assassinatos de mulheres negras aumentou 54%.
Não podemos esquecer de falar do quanto a desigualdade de gênero afronta todas nós mulheres, segundo estudos, o salário médio das trabalhadoras Brasileiras está em USS 12.000, enquanto no caso dos homens, é de USS 20.600, uma diferença de USS 8.500. Mesmo ocupando 61% das universidades e tendo a mesma capacidade intelectual ou até superior dos homens, não recebemos os mesmos salários.
As mulheres ocupam apenas 9,6% dos cargos no Congresso Nacional, sendo que representa a maior parte da população Brasileira e apenas 37 % dos cargos de alto escalão são ocupados por mulheres.
Até onde vai isso? Por isso precisamos do feminismo; movimento que luta contra a desigualdade de gênero e a violência contra mulher. Precisamos unir nossas forças com um grito bem alto de sororidade e amor á próxima. Temos que bater de frente com esse sistema patriarcal, misógino e machista que quer ser donos de nossos corpos e nos objetificar desmoralizando nossa luta e nossos direitos. Não podemos nos calar diante de coisas que acontecem bem debaixo de nossos narizes, temos que levar o movimento pra onde ele precisa ir, na periferia, nos presídios e lugares onde existem mulheres carentes de informação. Temos que parar de elitizar o feminismo e leva-los pra onde for de uma forma simples e didática. Vamos nos unir, nos amar .
Porque infelizmente somos somente nós por nós.
Fontes:
https://nacoesunidas.org/onu-feminicidio-brasil-quinto-maior-mundo-diretrizes-
nacionais-buscam-solucao/
http://www.bbc.com/portuguese/videos_e_fotos/2015/11/151118_100w_calculator_vj_2015
http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/11/desigualdade-entre-homens-e-mulheres-dispara-no-brasil-em-2015.html

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