quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A vida de Jackson Sanches- Cap. 01 (4°parte)

                    A vida de Jackson Sanches 


Autora: Hanna Kitamura Delgado Fernandes 

Cap. 01, 4° parte: A revelação. 


Sim, meu tio Alexandre é latino e cubano, mas viveu na Espanha a vida inteira antes de vim pra Nova York e apesar de ter convivido muito tempo com a minha mãe, ele se considera o oposto dela. Eu não sei de nada, até porque vivi pouquíssimo tempo com ela, tenho somente algumas lembranças remotas de alguns momentos felizes e a maioria do que eu sei, foi o que me falaram. 
Daqui a pouco, Dra. Honda visitara o meu tio e espero fazer algumas perguntas para ambos mentirosos, fiquei pensando a noite inteira o porque que eles esconderam esse relacionamento de mim e de todos. 
Alguém está batendo a porta, vou atender. 
- Oi Dra. Honda, como vai?
- Olá Jack, estou ótima, onde está o seu tio?
- Me acompanhe por favor. 
- Meu tio não está em casa, mas preparei essa sala especialmente pra você... Dra. Honda quero que me explique tudo que está acontecendo e tudo que aconteceu comigo. Porque você mentiu sobre mim? Fiquei curioso sobre seu caso com meu tio e visitei seu consultório a noite e peguei alguns arquivos pra descobrir mais sobre isso.. E olha o que eu encontrei...(choro) Eu não consigo acreditar que eu matei meu pai ... Porque meu tio se incriminou?  Porque não me contaram isso antes? Eu tinha o direito de saber. 
- Jack, acalme-se... As coisas estariam bem pior se você soubesse disso. Entenda-nos, por favor.
- Não, eu não consigo entender...
- Tudo bem, sente aqui e eu vou lhe contar tudo. 
(choro)
- Jack, você teve motivos pra matar o seu pai, afinal ele abusou sexualmente de você.  E apesar  de mata-lo a facadas, naquele momento, o seu cérebro desenvolveu um mecanismo de defesa para que você se esquecesse substancialmente do que fez e inconscientemente conseguisse esconder o fato de ter assassinado seu pai. Foi algo muito traumático e seu tio não queria que você passasse a vida em um reformatório psiquiátrico. Ele viu você dando o golpe fatal no seu pai e não te impediu porque sabia que tudo seria pior se seu pai permanecesse vivo. Depois disso, você desmaiou e recuperou a consciência após 10 minutos, esse foi tempo suficiente para que seu tio limpasse qualquer evidência que incriminasse você. Você não sabe disso, mas seu tio manteve uma vida dupla na Espanha, ele também era um assassino profissional e então sabia exatamente como se incriminar e limpar qualquer vestígio. Ele também poderia ter eliminado o corpo, mas o desaparecimento do seu tio iria levantar muitas suspeitas. Ele pensou em tudo Jack, ele te limpou, te colocou no quarto e quando você acordou, ele te contou uma versão dos fatos que você aceitou, isso porque a sua mente reprimiu o que aconteceu de verdade. Eu já estava namorando com seu tio e o compreendi perfeitamente, por isso fui sua terapeuta Jack. Te analisei por todos esse anos, mas também criei uma empatia muito grande por você, a ponto de nunca quebrar o sigilo apesar de quebrar a toda a ética profissional que eu havia aprendido na faculdade. 
- Eu não consigo acreditar... Como um garoto de 11 anos consegue matar um homem adulto? Porque meu tio nunca me disse nada sobre isso?
- Jack, você o apunhalou pelas costas, ele tropeçou e caiu batendo a cabeça no chão e assim perdeu a consciência por um tempo. Você jogou água nele pra acordar e logo o esfaqueou novamente. Seu tio nunca te disse isso, porque sabia que você ficaria mais traumatizado ainda. 
- E isso aqui Dra. Honda, eu fui diagnosticado com transtorno de personalidade anti-social? Eu sou um sociopata... Por isso que as emoções são tão estranhas pra mim.. Por isso eu mato as pessoas sem nenhum rancor. Porque você não me revelou isso antes? 
- Entenda Jackson, você não é culpado por isso e o diagnostico foi feito posteriormente. Eu e seu tio decidimos não contar pra você, porque você certamente iria se revoltar mais ainda. 
- Enquanto minha Avó, ela sabe disso?
- Ela não sabe disso Jack. 
- (choro)
Não foi fácil acreditar nisso, mas naquele instante minhas memórias e traumas passaram como um filme na minha cabeça. Entender que eu tenho um motivo pra matar assassinos e estupradores me deixa um pouco aliviado, eu sou um doente, um assassino patológico e um sociopata no auge da satisfação de desejos ocultos e sombrios. 
Nada disso me deixou mais chateado do que me atrasar para um encontro de negócios com meu tio. Será que matar um ex assassino profissional seria reconfortante pra mim? 

Em breve 2° capitulo.