A vida de Jackson Sanches
Autora: Hanna Kitamura Delgado Fernandes
Cap. 01 (3° parte) Alexandre Sanches.
Eram 10 horas da manhã de um dia ensolarado quando aconteceu o julgamento de Alexandre Sanches. Acusado de tortura seguida de morte, Tio Alexandre facilitou a investigação contando como foi os detalhes do crime para a policia. Os exames feitos em mim denunciaram o estupro cometido pelo meu pai. Pessoas que eu nunca vi na vida estavam protestando do lado de fora do fórum a favor do meu tio, a mídia estava ansiosamente esperando a decisão do juiz para sentenciar suas publicações nos jornais da metrópole Estaduniense, o advogado de defesa estava em extâse com sua aparição pública e não mediu esforços para desempenhar o seu papel da melhor forma possível.
Era uma história lamentável, mas ninguém realmente se preocupava com as consequências que tudo isso causaria na minha vida.
No juri popular tinha mulheres, negros, gestantes e idosos. Ninguém queria condenar alguém que matou um estuprador de criancinhas. Eles certamente compreenderiam o lado do meu tio. A juíza Dra. Carrey nunca se sentiu tão pressionada com tamanha intimidação popular, tanto na mídia como nas opacas ruas de uma sociedade onde a Justiça era cega e os cidadãos se viam obrigados a comete-la com as próprias mãos
As pessoas estavam cansadas.
Depois de horas de audiência, foi dado o veredito. A juíza, em bom som declarou:
- O réu foi absolvido pelo juri popular, mas cumprirá pena de reclusão durante 1 ano na prisão de segurança mínima no distrito de Albani.
Durante um ano , não frequentei espaços públicos e preferi ficar sozinho, mas o meu ódio só diminua quando eu quebrava tudo a minha volta. Minha consciência não pesava com minhas atitudes, ver o meu tio na cadeia me deixou abalado. Tio Alexandre saiu do fórum algemado, humilhado, triste e olhando para as pessoas com frieza e desprezo. Se despediu da minha avó e disse:
- Esse é só o começo...
O meu aniversario havia chegado e eu não conseguia esconder tamanha tristeza de me deparar com tanta desgraça na minha vida. Não mantive nenhuma relação social com ninguém, ficava o dia todo no meu quarto jogando vídeo game e a tarde tive aulas particulares, pois não conseguia e nem queria frequentar a escola.
01 ano depois...
Dia 04 de agosto de 2002, o grande dia da saída do meu tio da prisão. Confesso que estava ansioso e feliz, porque sabia que toda a moralidade e rigidez social de minha avó, que já estava me sufocando, estaria por fim. Avó Mercedez conseguiu mudar drasticamente desde a prisão do meu tio, em poucos dias que eu a conhecia desde a morte do meu pai, ela se transformou em outra pessoa. Ela começou a assumir uma postura muita rígida, mas ao mesmo tempo muito protetora. Me senti seguro no começo, mas depois aquilo estava me deixando louco.
Eu e minha avó estávamos esperando meu tio na prisão, quando repentinamente, apareceu um amontoado de jornalistas. Meu tio saiu as pressas e logo entrou conosco no carro
sem dar uma palavra. Fiquei frustado, porque eu estava esperando pelo menos um abraço, não sabia, que mesmo aquela prisão de segurança mínima, poderia corromper a personalidade do meu tio.
- Oi tio...
- Oi Jack, como vai amigão ? Oi mãe ...
- Oi meu filho, me diga como está?
- Prefiro conversar depois, nunca me senti tão mal em toda a minha vida.
Fiquei em silêncio e comecei a olhar pela janela do carro, engoli o choro e respirei profundamente.
Chegamos em casa, e percebi o quanto que a presença do meu tio conseguia tranquilizar minha avó, apesar de estar junto com o que restava da minha família, ainda sim, me sentia só.
Nos dias de hoje...
Hoje eu quase fui pego pela gangue da cidade, ser um tipo de justiceiro mortal me faz, passar por situações inimagináveis. Durante minha adolescência, percebi que tinha um poder especial, mesmo que eu falasse algo inadmissível, as pessoas concordavam comigo sempre. E, quanto mais o tempo passava, mais acentuado ficava esse tipo de persuasão.
Agora estou aqui, comendo uma pipoca, no meu apartamento localizado no Harlen, sai do Brooklyn há algumas semanas.Ainda continuo sendo um dos caras mais ricos de Nova York, mas quem cuida de toda parte financeira é meu tio.
Meu tio, com certeza é o cara que eu mais respeito em toda Nova York , mas, ultimamente ele está muito estranho. Ele vive se queixando de dores estranhas. Os levamos aos mais conceituados médicos de NY, fizemos todo tipo de exame que se possa imaginar, mas não conseguimos achar nenhuma evidência fisiologica dessa suposta dor. Pensei em como poderia ajuda-lo, porque ele fez tudo pra mim, ele me protegeu, ele foi tudo pra mim.
Em um momento efêmero pensei que pudesse ajuda-lo de uma forma mais peculiar pra ele, porque pra mim com certeza não era. Fui até a Dra. Mayumi Honda, aquela mulher que me ajudou quando meu pai morreu, uma mulher excepcional pra mim e quando cheguei ao seu consultorio, consegui enxergar o meu passado refletido na minha mente, as lagrimas foram inevitaveis, todo o sentimento reprimido veio substancialmente no momento que reencontrei aquela mulher. No momento em que ela me deitou em seus braços, eu me lembrei da minha mãe. A impreterível projeção que eu havia feito em Mayumi, ainda estava mais viva do que nunca. Olhei pra ela e disse:
- Dra. Honda! Quanto tempo! Preciso muito da sua ajuda... Como se eu precisasse de dizer isso, já que essas atitudes já me condenaram.
- Jack, eu prometi cuidar de você... Lembra? Pode dizer o que você precisa!
- Bom, não é sobre mim, mas... com certeza você pode me ajudar, se quiser, claro!
- Claro, pode falar...
- É sobre o meu Tio Alexandre.
- Sim, o que aconteceu?
- Preciso que o diagnostique urgentemente.
- Tudo bem, mas você pode me adiantar algo?
- Sim, ele está insistindo em dores estranhas, eu sei que ele não esta tão novo assim, mas o levei em diversos médicos e não tivemos sucesso em obter alguma razão fisica pra tudo isso.
- Sim... e o que mais..
- Ele ainda é muito retrógrado, por isso não sei se ele vai aceitar nossa ajuda....
- Jack, deixa comigo. Vou conversar com ele... Você acha que eu ainda não sei lidar com aquele homem teimoso?
- Mas... Como assim...?
- Não é nada Jack, acabei dizendo mais do que devia..
- Me diga agora o que está acontecendo Dra. Honda !
Nesse momento, acabe usando sem querer meu poder de persuasão, acabei me vendo em um beco sem saída, quera saber o que estava acontecendo...Até porque, sempre desconfiei da relação séria e um tanto quanto profissional que os dois conseguiam manter.
- Jack, é que eu e seu tio construímos uma profunda relação de amizade. Essa relação se estreitou tanto que acabamos namorando por um tempo, mas como não queria estragar o auge da minha carreira profissional acabei o deixando. Imagina, uma psicologa renomada como eu ser pega mantendo relações intimas com o tio de um paciente!
- Ok!
- Meu Deus, o que eu disse.. Não era pra você saber disso.
- Tudo bem Dra; Honda, não pensei que você gostasse de Latinos e que meu tio gostasse de Ásiaticas. Você pode visita-lo amanhã?
- Sim, claro.
- Bom, vou indo. Até amanhã.
- Ate amanhã... Jack.
Em breve 4° parte...



















































